INSS fechado por coronavírus não faz perícia e deve atrasar auxílio-doença

O governo anunciou na semana passada que os trabalhadores que precisam de auxílio-doença poderiam anexar um atestado médico pelo Meu INSS para evitar a ida às agências e, assim, conter o avanço do novo coronavírus.

Porém, o projeto de lei que permitirá isso ainda não foi apresentado, e as agências do INSS estão fechadas até pelo menos 30 de abril.

Na prática, especialistas dizem que quem tinha perícia marcada para os próximos dias ou precisa pedir o auxílio-doença terá que esperar mais para receber o benefício, já que não há como fazer as perícias nas agências, e o projeto que libera as perícias por atestado médico ainda não saiu do papel.

O que diz o INSS?

Segundo o INSS, quem já tinha perícia médica agendada “deverá enviar o atestado médico pela ferramenta [no Meu INSS], que em breve será disponibilizada, tão logo seja votado o PL [projeto de lei], conforme dito em coletiva sobre o assunto na semana passada.

” O instituto diz que “não haverá nenhum prejuízo para os segurados que tinham perícia presencial agendada.”

Para quem ainda ia pedir o benefício, o INSS diz que o segurado pode fazer o pedido e, depois, quando o sistema for liberado, anexar o atestado.

A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho informou que o projeto de lei deve ser enviado ao Congresso nos próximos dias.

“Após o envio, serão divulgados os detalhes para a implantação das medidas.”

O que dizem os especialistas?

Sem perícias nas agências e sem um projeto de lei aprovado para permitir que o segurado seja avaliado pelo atestado médico, sem precisar passar por perícia física, advogados previdenciários dizem que os trabalhadores podem ter que esperar mais para receber o benefício.

“Essas medidas do governo para conter o vírus são importantes. É fantástico, mas só na teoria. Eles não tornam efetivo o que planejam”, diz o advogado previdenciário João Badari.

Segundo ele, a opção para quem não pode esperar a nova legislação entrar em vigor ou a volta das perícias nas agências é entrar com um mandado de segurança na Justiça, pedindo para que o INSS analise seu caso. É preciso advogado.

O advogado previdenciário Rômulo Saraiva afirma que o INSS também terá que disponibilizar ferramentas para que os médicos peritos consigam fazer a avaliação remotamente. Além disso, ele acredita em um aumento no número de auxílios negados.

“Você abre a porta e já começa a ser analisado pelo perito. É examinado visualmente, a forma de andar, se tem cicatriz, se manca. Tudo isso é examinado. O médico assistente faz um laudo médico para ser apresentado, mas nem sempre com a riqueza de detalhes necessárias para o convencimento do perito. Realmente, com essa sistemática de trabalho, sem perícia na agência, acredito que haverá mais negativa de benefício.”

Fonte: UOL

Facebook
Twitter
LinkedIn

Áreas de Atuação

Direito Previdenciário

Direito Trabalhista

Direito de Família

Direito Civil

Mais Populares

não pagar insalubridade
Não pagar adicional de insalubridade pode gerar rescisão indireta, decide TST
fila do INSS cai em 74%
Fila do INSS cai 74% em 2026
Atestmed INSS: quem pode conseguir benefício sem perícia médica em 2026?
INSS amplia utilização do Atestmed: veja quem pode obter benefício sem perícia presencial
HEAD-HG-2-6
Exposição de filhos nas redes sociais: o que diz o Direito de Família
decimo-terceiro-financeiro-gestao-cr-sistemas-e-web
Direitos trabalhistas no início do ano: o que todo trabalhador precisa saber