Quase 24 horas depois de anunciar sanção, Bolsonaro publica lei que cria auxílio de R$ 600

Quase 24 horas depois de o presidente Jair Bolsonaro dizer que já havia dado o aval ao auxílio de R$ 600 para trabalhadores informais, a lei que cria o benefício foi publicada ontem em edição extra do Diário Oficial da União, acompanhada de uma medida provisória (MP) que abre espaço de R$ 98 bilhões para financiar o programa.

A oficialização ocorre após o governo ter resolvido um impasse sobre a fonte de recursos para bancar o plano. R$ 600: Saiba quem pode se candidatar ao auxílio emergencial A assinatura da lei ocorre três dias após o Congresso ter aprovado o auxílio emergencial.

A demora provocou críticas de parlamentares e especialistas, já que só com a lei em vigor o programa pode sair do papel, e há o receio que de que a lentidão leve a população às ruas em busca de formas de complementar a renda.

No texto, Bolsonaro vetou o trecho do texto que previa ampliação do acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência carentes. A medida faz parte do pacote de ações do governo para lidar com a crise do coronavírus do coronavírus.

O aval presidencial foi anunciado dois dias após o Congresso ter aprovado a proposta e formalizado três dias depois da ação do Legislativo.

O MP trabalhista que permite corte de salário já está em vigor O governo, porém, ainda precisa editar um decreto para regulamentar a forma como o pagamento será feito.

Ontem, mesmo antes da publicação da lei, Bolsonaro afirmou que o andamento do programa estava “a todo vapor” e começaria já na semana que vem. O benefício será pago a 54 milhões de brasileiros e custará aos cofres públicos R$ 98 bilhões.

O valor é seis vezes maior que o inicialmente projetado pela equipe econômica, que previa gastar R$ 15 bilhões com um benefício de R$ 200 pago a um número menor de pessoas.

O principal entrave para dar andamento na criação do benefício foi uma incerteza jurídica da equipe econômica sobre a liberação dos recursos. Técnicos temiam que, ao autorizar os gastos extraordinários, poderiam descumprir a chamada regra de ouro, que impede que o governo se endivide para pagar despesas correntes, como o novo benefício.

Pacote anticrise:

Veja em que pé estão as medidas econômicas anunciadas pelo governo até agora Mais que um detalhe técnico, a decisão sobre como financiar a medida trouxe um risco político para Bolsonaro, já que o desrespeito à legislação poderia ser interpretado como crime de responsabilidade, passível de impeachment. Em 2016, a ex-presidente Dilma Rousseff perdeu o cargo justamente por desrespeito a regras fiscais.

— É uma burocracia enorme. Uma canetada minha errada é crime de responsabilidade, dá para vocês entenderem isso? Ou vocês querem que eu cave a minha própria sepultura? — disse o presidente, na porta do Alvorada.

‘Rito’ a ser cumprido O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, afirmou que a demora ocorre por causa do “rito” que deve ser cumprido.

— Existe um rito que tem de ser observado, senão entramos em uma série de responsabilidades, que vão para os CPFs, não estou falando das lideranças, mas dos técnicos e de todos aqueles que estão envolvidos no processo. Dentro disso, se você estudar a legislação e o histórico, a velocidade com que estão sendo tomadas as providencias é uma coisa extraordinária e nova no país — declarou, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

A ajuda aos informais foi pensada há duas semanas para reduzir os efeitos da crise do coronavírus sobre a população mais vulnerável.

Na versão original, era bem menor. O valor pago a cada trabalhador seria de R$ 200 e, ao todo, os benefícios custariam aos cofres públicos R$ 15 bilhões. No Congresso, o valor e a abrangência da ajuda aumentaram, fazendo a previsão de gastos crescer mais de seis vezes. Por isso, o risco de descumprimento da regra de ouro começou a preocupar a equipe econômica.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a cogitar a possibilidade de o governo só sancionar o benefício após a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria o que ficou conhecido como “Orçamento de guerra”.

O texto deixa explícito que os gastos extras para financiar medidas de combate à pandemia não serão sujeitos à regra de ouro. A solução encontrada ontem foi compensar os R$ 98 bilhões com uma engenharia orçamentária com recursos que seriam usados no abatimento da dívida pública. Técnicos avaliam, contudo, que a PEC será necessária no futuro.

Fonte: O Globo

Facebook
Twitter
LinkedIn

Áreas de Atuação

Direito Previdenciário

Direito Trabalhista

Direito de Família

Direito Civil

Mais Populares

não pagar insalubridade
Não pagar adicional de insalubridade pode gerar rescisão indireta, decide TST
fila do INSS cai em 74%
Fila do INSS cai 74% em 2026
Atestmed INSS: quem pode conseguir benefício sem perícia médica em 2026?
INSS amplia utilização do Atestmed: veja quem pode obter benefício sem perícia presencial
HEAD-HG-2-6
Exposição de filhos nas redes sociais: o que diz o Direito de Família
decimo-terceiro-financeiro-gestao-cr-sistemas-e-web
Direitos trabalhistas no início do ano: o que todo trabalhador precisa saber